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THELIRANTES

EXPRESSÕES CULTURAIS NEGRAS EM DEBATE !

Atualizado: 18 de Out de 2018

Parceria entre Agência TheLírios, Mulheres Negras Construindo Visibilidade, Laboratório de Direitos Humanos (UFRJ), PROAFRO (UERJ) promove ciclo de conferências: Expressões Culturais Negras e Formação da Identidade Brasileira para refletir sobre a contribuição do negro na formação da identidade afro-brasileira, dentro de universidade pública, no Rio de Janeiro.

A iniciativa foi idealizada pela escritora mineira Ana Cruz, coordenadora do Mulheres Negras Construindo Visibilidade, um projeto que visa ampliar o espaço de comunicação entre mulheres negras que pensam e fazem política. Ana Cruz, afirma que “os espaços de reflexões sempre apontam novas perspectivas que alimentam nossa coragem de continuar acreditando em nós mesmas, além de assegurar que estamos indo na direção correta”.


CICLO DE CONFERÊNCIAS

A conferência Expressões Culturais Negras e Formação da Identidade Brasileira reuniu intelectuais negras e negros para debater os temas ligados às lutas anti racistas, à memória e ancestralidade afrobrasileiras e a toda produção cultural e social dessa população no Brasil. Ao longo de 10 horas de programação 200 alunos da rede pública de ensino lotaram o auditório principal da UERJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) para assistir palestras com nomes importantes para a produção intelectual afrobrasileira contemporânea, como: Áurea Carolina, Elizabeth Manja, Aline Lourena, Bruna Carla, Prf. Dra. Vanessa de Oliveira Berner, Heliana Hemetério, Prof. Dra. Stela Guedes Caputo, Prof. Dr. Adélcio Sousa Cruz, Prof. Dr.Marcos Fabrício Lopes, Diva Guimarães.

O ciclo foi iniciado no dia 07 de novembro de 2017, com a mesa Juventude, Mídia, Arte e Cultura: a potência da periferia subvertendo a exclusão social, racial e econômica. Durante a mesa a vereadora e cientista política Áurea Carolina, Elizabeth Manja, diretora executiva da Associação Cultural Movimento Territórios Diversos, e Aline Lourena, cineasta e diretora executiva da Agência TheLírios falam sobre o protagonismo da juventude das periferias. Com uma vasta experiência e domínio das diferentes linguagens e estéticas dos veículos de mídias e Cultura, elas apresentaram seus trabalhos com intuito de discutir conteúdos e compartilhar desafios que oriente as iniciativas nas diferentes mídias e produções culturais de jovens iniciantes.

A mesa Fragmentos da Memória para a Construção Identitária - Ana Cruz e Luandino Vieira, Bruna Carla, mestra em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa (PUC/MG) apresenta o tema da memória a partir do tratamento poético presentes tanto no poema “Para todos os dias”, da poetisa brasileira Ana Cruz, como no conto “Encontro de acaso”, do escritor angolano Luandino Vieira. Bruna Carla argumenta que esses dois autores valem-se na construção de seus textos, de fragmentos da memória de tempos diversos. E que esse aspecto nos permite dizer que, nos textos de Luandino Vieira e Ana Cruz, a memória é o elemento responsável para a recuperação de fatos do passado, a leitura do presente, de tradições e histórias vividas. Tais cruzamentos, vistos à luz de teóricos como Andreas Huyssen, Maurice Halbwachs, Stuart Hall e de estudiosos como Eduardo Duarte e Maria Nazareth Fonseca, permitem que, através da memória, sejam fortalecidos traços de uma identidade fragmentária que se entrelaça a tempos passados e a momentos presentes.

Na mesa Arte e Direitos Humanos a professora Vanessa de Oliveira Berner (Professora Titular da Faculdade Nacional de Direito/UFRJ) aborda a relação entre direitos humanos e arte, gênero, direito das imigrações, direito internacional dos refugiados.

A mesa Na Fogueira do Dogmatismo Político-Religioso: Cura Gay, atentados permanentes à população LGBT, perseguição às Religiões de Matrizes Africanas a vereadora e cientista política Áurea Carolina, Heliana Hemetério, da Rede de Mulheres Negras do Paraná, Stella Guedes Caputo, Doutora Educação pela PUC-RJ, falam sobre as estratégias políticas de organização para o enfrentamento e a presença das instituições de direitos humanos, de mulheres negras, mulheres, juventude e população LGBT visando refletir sobre um Brasil com respeito às diferenças com Equidade de Gênero e de Raça.

Na mesa Lima Barreto e sua escrita em dois tempos - Início do Séc. XX e Séc Releituras no Séc. XXI, o professor Adélcio Sousa Cruz, prof do Departamento de Letras da Universidade Federal de Viçosa (DLA/UFV) falou sobre a invisibilidade atribuída ao autor dos romances Clara dos Anjos e de Recordações do escrivão Isaías Caminha tanto nas pesquisas sobre sua obra quanto nas novas edições de seus textos. O professor Adelson comenta sobre os efeitos da homenagem feita na edição de FLIP 2017 ao escritor carioca, de pena ácida e certeira, que reacendeu na mídia especializada a vontade de retomar leituras críticas de suas crônicas, contos, romances e os diários “íntimo” e do “hospício”. Curiosamente, tornaram a repetir, em parte, os lugares comuns sobre a “crítica social”. Finalizou sua fala enfatizando que o tema da questão racial parece continuar incômodo, mesmo nestas décadas iniciais do século XXI. Pontuando que é exatamente sobre o entrelaçamento dos conceitos de raça, classe e gênero que abordou ao longo da conferência, objetivando fomentar novas leituras – especializadas ou não – sobre estes pontos instigantes da literatura produzida pelo “negro ou mulato – como queiram”, como ele mesmo registrou nas páginas do Diário Íntimo e se tornou uma espécie de “refrão” para responder às estocadas do racismo à brasileira.

Professora Diva Guimarães

Para encerrar o ciclo, a mesa Dialogando com a Professora Diva Guimarães sobre: O Papel da Educação e do Educador na Construção de uma Cultura com Respeito às Diferenças e com Equidade de Gêneros e de Raça contou com a fala da Professora Diva Guimarães, que na FLIP comoveu e mobilizou milhões de brasileiros e brasileiras que sentem no corpo as irrevogáveis consequências do racismo, sobretudo o racismo institucional. Portadora de uma oralidade que sem sombra de duvida é um legado de sua ancestralidade africana ela tomou a palavra e tratou do tema, nos seus mais diferentes aspectos: político, social e ideológico. Professora Diva Guimarães pontuou de maneira bastante contundente o papel da educação e papel do educador na construção de uma cultura de respeito e com igualdade de oportunidades.

Os circuitos de Conferências: Expressões Culturais Negras e Formação da Identidade Brasileira contribuíram para aprofundar, a partir de dados artísticos, religiosos e políticos os debates sobre a questão racial negra. Além de pontuar através dos temas em discussão o quanto fundamental a respeito da luta pela hegemonia política, econômica, intelectual e artística de homens e de mulheres negras, luta não fragmentada, iniciada nos primórdios da escravização pelo direito a um patrimônio, bem como aprofundar também os temas conjunturais relacionados a nova ordem econômica e política que nos impõem novas reflexões a respeito das nossas estratégias organizativas.


Assista aos vídeos aqui!


FONTE

CUT: 24/10/2017


AUTOR:

Aline Lourena: é atriz, cineasta, pesquisadora, diretora executiva e fundadora da TheLírios, É mestre em Comunicação e Cultura (PPGCOM-UFRJ), graduada em Audiovisual pela UFRJ, e formada em roteiro cinematográfico pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Responsável pela coletivo #Az_Pretaz - Mulheres Negras e Indígenas da Comunicação e da Tecnologia e apresentadora do programa de rádio, Na Onda das Pretas (Rádio MEC/EBC).

Instagram: @alinelourena

Facebook: @alinelourenaoficial

QUEM SOMOS

 

Fundada em 2009, a A TheLírios é uma empresa que integra a cadeia produtiva do audiovisual carioca com importantes trabalhos realizados para clientes privados e órgãos públicos, além de criar, produzir e realizar filmes e programas para diversas janelas de exibição.

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